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Bernardo Carneiro: como os estabelecimentos migraram para o digital?

Atualizado: Mai 27

Atendendo os principais estabelecimentos do Brasil, Bernardo Carneiro, sócio-diretor da Stone, explica como está sendo a migração dos negócios para o digital.

Ilustração de uma pessoa segurando uma pizza na frente de uma van com a logo de uma pizzaria. Ao lado está escrito "Bernardo Carneiro: como os estabelecimentos migraram para o digital?"

No último ano, o mundo inteiro passou por uma verdadeira revolução provocada pela pandemia da Covid-19.


Para os estabelecimentos comerciais, nem se fala.


O delivery, que antes era uma tendência, de uma hora para outra, tornou-se questão de vida ou morte para um estabelecimento.


Nesse contexto, Bernardo Carneiro, sócio-diretor da Stone, a principal empresa de meios de pagamento do Brasil, conversou com o blog para explicar como está sendo feita essa migração e quais os impactos que essa aceleração trouxe para o mercado.


“Em geral, vejo muita coisa positiva acontecendo na digitalização do varejista”


Segundo Bernardo, ao colocar na balança os prós e contras da migração do offline para o online, o saldo para os estabelecimentos é positivo.


O sócio da empresa explica que com o delivery, os estabelecimentos conseguem ultrapassar a barreira física do negócio, aumentando o raio de alcance sobre as pessoas que antes impactavam somente fisicamente.


“Quando você começa a atender no digital, você está expandindo sua capacidade de venda e atendimento, que antes se limitava a quantidade de mesas que coubessem no seu estabelecimento. Isso em geral é positivo”.


Para Bernardo, os empreendedores que observaram isso primeiro, antes mesmo da crise, estão conseguindo passar melhor por esse momento de pandemia. Afinal, já tinham canais e processos desenvolvidos, com uma logística madura para tal.


“Em pouco tempo, esse pessoal conseguiu igualar e até superar o faturamento que tinham com o estabelecimento aberto”.


“O consumidor foi educado a comprar online”


Bernardo explica que com todo esse movimento, foi possível observar um processo de educação do consumidor, que foi entendendo que comprar online é um modo muito conveniente.


“Principalmente com o trabalho do pessoal de food, as pessoas começaram a usar mais o delivery, aceitando menos serviços que funcionam mal pela internet e forçando que o mercado e até o meio público melhorem seus processos”.


Outro movimento foi o de expansão dos serviços de delivery pelo interior do país. Segundo Bernardo, nas grandes cidades, o sistema de entregas já estava bem estruturado, mas faltava atingir outras localidades.


“Durante a pandemia, empresas como a Delivery Much, focada em entregas em pequenas e médias cidades, ficaram imensas. Olha que oportunidade espetacular, em uma capital em que o delivery tinha penetração de 40%, esse mercado pode no máximo dobrar de tamanho, mas no interior você tinha 4% de penetração tem muito mais espaço para crescer”.


Como ponto de atenção, Bernardo entende que muitas empresas não estavam preparadas para essa transição e acabaram migrando para o digital de qualquer jeito.


Assim, com muita gente operando sem processo, muitos erros são comuns, prejudicando a opinião do consumidor.


Como exemplo, ele cita as empresas que não estavam preparadas para a demanda e acabaram não tendo a capacidade de entrega necessária. “A empresa que opera mal, faz mal para todo o mercado, não apenas para o negócio dela”.


Para o usuário final, Bernardo acredita que a migração para o digital é positiva pela comodidade. “No mundo físico, você tem toda uma experiência, com um ambiente bacana e compartilhado com muitas pessoas. No digital, isso acaba tendo pouco valor. Então como ficam esses espaços que o empresário precisou investir para receber as pessoas?”. É possível observar, portanto, a transformação das lojas como ambientes focados na experiência de compra e também como um facilitador para envio mais rápido de produtos para clientes que compraram online, o que ficou conhecido como “ship-from-store”.


“O Pix e as carteiras digitais ainda possuem baixa penetração no varejo”


Em relação aos meios de pagamento, Bernardo explica que iniciativas como PicPay, Mercado Pago e Ame Digital ainda estão no início e concentradas em algumas regiões das grandes capitais.


Para ele, as pessoas em geral já têm uma excelente experiência com o uso do cartão no Brasil e, por isso, o consumidor ainda está entendendo o porquê de usar uma carteira digital, sendo que o processo ainda é longo.


“Por enquanto, essas iniciativas ainda dependem muito de benefícios, como cashbacks e descontos. Assim, eu diria que esse modelo ainda precisa amadurecer e encontrar uma vantagem clara para o consumidor”.


Em relação ao Pix, a ferramenta ainda está sendo usada principalmente para transações entre pessoas. No total, ainda são poucos os casos de transferências de pessoas para empresas.


“Agora começamos a ver as pessoas pagando contas de concessionárias pelo Pix. Afinal, elas estão estimulando essa forma de pagamento para acabar com o custo de geração de boletos. Outro fato legal são as empresas utilizando como forma de pagar os seus fornecedores e reduzir custos de TED e DOC.”


Mas um interessante movimento de digitalização que Bernardo aponta, é a possibilidade do pagamento online com os cartões de benefícios, como Sodexo, Ticket e Alelo.


Com a pandemia, os vales acabaram ficando estocados dentro dos cartões que não podiam ser usados por não serem pensados para o ambiente virtual.


Com os lojistas precisando vender, a Stone através das suas plataformas começou a ajudar o mercado a destravar o acesso a esse dinheiro, fazendo com que as pessoas pudessem usar os benefícios em pagamentos online. “Os aplicativos de delivery, como iFood e Rappi, tiveram um papel fundamental aqui também, popularizando o pagamento online via vale-refeição”.